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Uma empresa de saúde verde cuida da vida e do planeta
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Uma empresa de saúde verde cuida da vida e do planeta
Dra. Natasha Slhessarenko
Estamos na Semana do Meio Ambiente e por isso vamos falar aqui sobre a importância das instituições de saúde adotarem medidas de sustentabilidade que a tornem uma empresa verde. A sustentabilidade no setor de saúde não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente.
Empresas de saúde sustentáveis desempenham um papel vital na proteção do meio ambiente, na promoção da saúde pública, na geração de benefícios econômicos e na construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Adotar práticas sustentáveis é uma oportunidade para as empresas de saúde lideram pelo exemplo, inovarem e contribuírem para um futuro mais sustentável para todos.
Primeiramente, a empresa deve ser projetada para adotar uma construção verde, sustentável e ser concebida para práticas de cuidados sustentáveis.
Entre as principais áreas de sustentabilidade no setor da saúde, destacamos a eficiência energética, uso de energia renovável e o cuidado com o desprezo dos resíduos biológicos.
Instalações de saúde consomem grandes quantidades de energia. Implementar tecnologias de eficiência energética e usar fontes de energia renovável reduz as emissões de carbono e diminui a pegada ecológica. Daí a importância da aquisição de equipamentos (do ar condicionado à ressonância magnética) com baixo consumo de energia, do uso de lâmpadas LED, instalação de painéis solares e outras fontes de energia limpa para diminuir a dependência de combustíveis fósseis. Além disso, espaços com entrada de luz natural, ajudam a reduzir o consumo de energia e torna os ambientes mais acolhedores e humanizados.
A gestão de resíduos, sólidos e efluentes, nas empresas de saúde, são fundamentais neste processo. Isso inclui a redução da produção de resíduos biológicos bem como o descarte seguro destes. Empresas de saúde geram uma quantidade significativa de resíduos perigosos, incluindo materiais biológicos, químicos e radioativos. Práticas sustentáveis focam na redução e descarte adequado destes materiais. Alinhada às práticas sustentáveis, a reutilização, reaproveitamento e reciclagem dos outros tipos de resíduos gerados (papel, plástico, metal, vidro e orgânico) também contribuem para minimizar o impacto ambiental. O tratamento do efluente com uso de filtro anaeróbico, fossa séptica, biodigestor e cloração participam deste processo.
Destaca-se a adoção de práticas de produção mais eficientes e reengenharia de processos para reduzir o desperdício de materiais, além da implementação de políticas de desperdício de resíduos orgânicos e de outros recursos.
Fundamental, ainda, priorizar a aquisição de produtos que tenham menor impacto ambiental, sejam biodegradáveis, recicláveis ou feitos de materiais reciclados.
Outro ponto fundamental é o uso racional de resíduos hídricos. A conservação e o uso eficiente da água são cruciais, especialmente em áreas onde a escassez de água é uma preocupação. Práticas como a reciclagem de água e o uso de sistemas de baixo consumo ajudam a conservar esse recurso vital.
Seguimos pontuando sobre a importância da adoção de tecnologias que reduzam o impacto ambiental, como software de gestão de energia, equipamentos de produção eficientes, lâmpadas e elevadores inteligentes, dentre outros.
E para além disso, manter uma comunicação aberta e transparente com todas as partes interessadas sobre os esforços de sustentabilidade da empresa, educando e envolvendo os colaboradores, terceirizados e levando informações para a sociedade por meio de ações sociais e educativas.
O que podemos colher de resultados sendo uma empresa de saúde sustentável?
Práticas e ambientes sustentáveis nas empresas de saúde podem reduzir a exposição dos pacientes e colaboradores a produtos químicos tóxicos, biológicos e perfurocortantes, criando ambientes de cuidado mais seguros e saudáveis.
Empresas de saúde sustentáveis devem liderar pelo exemplo, promovendo a saúde e o bem-estar através de programas de educação e iniciativas comunitárias que incentivem hábitos de vida saudáveis.
Na outra ponta, a eficiência energética, redução de desperdícios e outras práticas sustentáveis frequentemente resultam em economias significativas para as empresas de saúde. Essas economias podem ser reinvestidas em melhorias de cuidados, inovação e infraestrutura.
A sustentabilidade no setor da saúde é uma abordagem essencial para garantir a longevidade e a eficácia das instituições de saúde enquanto se protege o meio ambiente e se promove a saúde pública. Ao adotar práticas sustentáveis, as organizações de saúde podem não só melhorar a qualidade do atendimento, mas também contribuir significativamente para um futuro mais sustentável e saudável para todos.
Empresas de saúde que adotam práticas sustentáveis estão posicionadas para liderar a transição para um futuro mais saudável e equilibrado, ao mesmo tempo em que proporcionam melhores cuidados e resultados para os pacientes.
É impossível dissociar saúde e meio ambiente. Uma empresa de saúde verde cuida da vida e do planeta.
Dra. Natasha Slhessarenko é pediatra e patologista, professora da UFMT e fundadora da Clínica Vida Diagnóstico e Saúde, em Várzea Grande (MT)
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”A escola é palco, não a origem da violência”
Nos últimos dias, Mato Grosso foi palco de mais um crime que chocou o País. Assistimos com indignação e dor, a brutal agressão sofrida por uma adolescente de 12 anos dentro de uma escola estadual em Alto Araguaia. Espancada por colegas de turma, ela foi forçada a permanecer ajoelhada, sem chorar, sob ameaça de mais violência. A agressão foi gravada, publicada em redes sociais e revelou um grupo de alunas que se organizava como uma espécie de facção — com regras internas e um código de conduta calcado no medo, na humilhação e na força.
A cena choca. Mas, mais do que isso, ela revela uma falha coletiva: a escola, a família e a sociedade estão perdendo de vista a missão de formar seres humanos conscientes, empáticos e com virtudes. O resultado disso pode ser devastador, especialmente entre crianças e adolescentes.
A neurociência já demonstrou que o cérebro humano só atinge maturidade plena, total, por volta dos 25 anos. Durante a infância e adolescência, áreas responsáveis pela empatia, controle de impulsos, julgamento moral e tomada de decisões — como o córtex pré-frontal — ainda estão em desenvolvimento.
Isso significa que os jovens aprendem a sentir, pensar e agir com base naquilo que vivenciam repetidamente. Ambientes marcados por negligência emocional, violência doméstica, relações hierárquicas coercitivas ou ausência de limites seguros, modelam cérebros que aprendem a sobreviver pela dominação ou submissão. Não se trata apenas de “mau comportamento”, e sim, de uma arquitetura neural sendo moldada todos os dias.
No caso de Alto Araguaia, a promotoria identificou que algumas das meninas agressoras estavam, na verdade, reproduzindo dentro da escola aquilo que viviam em casa. Essa constatação nos obriga a ampliar o olhar: os agressores também são vítimas de uma cultura emocionalmente adoecida.
Diante disso, é urgente resgatar o papel da escola também como um dos principais ambientes formadores do caráter. Mais do que transmitir conteúdos curriculares, a escola deve ser um território de desenvolvimento emocional, social e ético. Um laboratório vivo de convivência.
A Abordagem Centrada nas Virtudes (ACV), como ferramenta de trabalho, ressalta que virtudes como: respeito, compaixão, empatia, humildade, honestidade e responsabilidade não são traços fixos. Elas são sementes que precisam ser cultivadas todos os dias com exemplos, diálogos, escuta ativa, mediação de conflitos e rituais de reconhecimento.
Ensinar virtudes é diferente de fazer discursos moralistas. Trata-se de oferecer experiências concretas em que o aluno possa: sentir-se pertencente; reconhecer os limites do outro e os seus; reparar erros sem ser anulado; experimentar o valor de agir com gentileza, mesmo diante da raiva. Esses são alguns dos pontos a serem trabalhados de forma conjunta, família e escola, para a construção não só de alunos, mas, seres humanos.
Nenhuma criança nasce violenta. Mas também, nenhuma criança se torna virtuosa sozinha. Nesse mister, a corresponsabilidade está entre escola e família, sim!
O que aconteceu em Mato Grosso não é um problema isolado da unidade escolar, tampouco só dos pais. É um retrato de desalinhamento entre dois pilares fundamentais da formação humana.
A escola precisa acolher e educar, sim. Mas também precisa estar conectada às famílias. É preciso resgatar o diálogo, o vínculo, a construção de valores em comum. A formação de uma personalidade saudável não se dá por um único agente, mas por uma teia relacional que ensina, sustenta e repara.
Por fim, se há famílias adoecidas, mais ainda a escola precisa de atenção e preparo com formação de professores (em inteligência emocional), rodas de virtudes, escuta ativa, projetos de convivência e, principalmente, presença adulta significativa no cotidiano dos alunos.
Momentos como esse, nos convocam a algo maior do que indignação momentânea. Nos obrigam a rever práticas, políticas e prioridades. O que aconteceu em Alto Araguaia é grave. Mas, pode se tornar um marco. Deve ser para nós um ponto de virada. Desde que saibamos transformar a dor em movimento, o choque em compromisso, e a Educação que não ensine apenas a pensar — mas a sentir, escolher e cuidar.
_Mariana Vidotto _ é mãe, Psicoterapeuta Familiar e Orientadora Parental, Especialista em Neurociência e Desenvolvimento Infantil, atua há 10 anos atendendo pacientes de 7 países diferentes E-mail: [email protected]
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