AGRONEGÓCIO
Trigo segue em queda mesmo na entressafra, e geadas no Paraná acendem alerta sobre a produção
AGRONEGÓCIO
Queda nos preços surpreende produtores em plena entressafra
O mercado brasileiro de trigo atravessa um cenário atípico: mesmo no período de entressafra, os preços seguem em queda. De acordo com a TF Agroeconômica, o recuo é resultado da combinação de excesso de oferta, demanda interna enfraquecida, importações aquecidas e valorização do real frente ao dólar, que barateia o trigo estrangeiro.
Situação nos estados produtores
Rio Grande do Sul
O plantio da nova safra está praticamente paralisado devido às chuvas intensas, que já causam estresse fisiológico nas plantas e perdas localizadas. A comercialização da safra passada está travada, com embarques previstos apenas para agosto e preços entre R$ 1.330 a R$ 1.430 por tonelada. As exportações também estão recuadas, com preços girando em torno de R$ 1.280/t, enquanto a cotação da pedra em Panambi permanece em R$ 70/saca.
Os moinhos operam sob forte pressão, enfrentando margens apertadas devido ao dólar baixo e à concorrência do trigo importado.
Santa Catarina
A diferença de preço entre o trigo argentino (para dezembro) e o nacional está em apenas R$ 60/t, o que favorece o produto estrangeiro. A demanda interna segue enfraquecida, com estoques elevados e sobra de sementes, o que amplia a disponibilidade. Os preços pagos aos produtores permanecem estáveis:
- R$ 78/saca em Canoinhas
- R$ 75 em Chapecó
- R$ 76 em Joaçaba
Segundo a Conab, a produção do estado deve cair 6,3% em 2024, mesmo com aumento da área plantada, devido à queda na produtividade.
Paraná
A valorização do real frente ao dólar favoreceu ainda mais a entrada do trigo importado, especialmente do Paraguai e da Argentina, com preços CIF girando em torno de R$ 1.500 para agosto e dezembro.
A média de preços pagos ao produtor caiu 0,70%, chegando a R$ 78,70/saca, com lucro estimado em 7,03%, ainda positivo, mas em trajetória de queda.
Geadas podem comprometer lavouras no Paraná
De acordo com o Boletim de Conjuntura Agropecuária do Deral (Departamento de Economia Rural), o Paraná reduziu sua estimativa de área cultivada para 833 mil hectares, com previsão de colheita de 2,7 milhões de toneladas, desde que as condições climáticas se mantenham regulares. Até 23 de junho, 91% da área já havia sido semeada, com 99% das lavouras em condição boa.
Entretanto, a ocorrência de geadas nos dias 24 e 25 de junho pode alterar esse cenário. A geada do dia 25 foi mais abrangente e atingiu a região Norte, onde o fenômeno é menos comum. Como a antecipação da semeadura deixou grande parte das lavouras em fase reprodutiva (florescimento, emborrachamento e início do enchimento de grãos), há risco significativo de perdas.
Cerca de 91 mil hectares estão nessas fases sensíveis. O Deral alerta que os impactos reais das geadas só poderão ser avaliados nos próximos dias, com um novo boletim previsto para o dia 1º de julho, que trará mais detalhes sobre os efeitos da onda de frio.
Lavouras em desenvolvimento e novas áreas ainda a serem plantadas
Nas demais regiões do estado, 670 mil hectares estão em fase de desenvolvimento vegetativo, onde o frio pode trazer benefícios agronômicos, como controle de pragas e estímulo ao perfilhamento. Além disso, 72 mil hectares ainda devem ser plantados, favorecidos pela boa umidade no solo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil exporta menos café em volume, mas mantém faturamento com preços elevados
O Brasil exportou 35,4 milhões de sacas de café de 60 kg entre julho de 2025 e maio de 2026, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O volume representa uma queda de 18% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando os embarques somaram 43 milhões de sacas.
Apesar da redução na quantidade exportada, o desempenho financeiro do setor se manteve praticamente estável. A receita acumulada atingiu US$ 13,6 bilhões, levemente abaixo dos US$ 13,7 bilhões registrados na temporada 2024/25. O resultado evidencia que a valorização do grão no mercado internacional compensou a menor disponibilidade do produto brasileiro.
Preços altos sustentam receita mesmo com queda nas exportações
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o desempenho do café brasileiro ao longo da safra 2025/26 foi impactado por uma combinação de fatores, especialmente a menor produção e os estoques internos historicamente reduzidos.
Com a oferta limitada, o café disponível foi sendo gradualmente comercializado ao longo do ciclo, o que reduziu significativamente os volumes remanescentes para negociação. Em paralelo, os preços elevados permitiram maior capitalização dos produtores, que não demonstraram necessidade de acelerar a venda dos estoques restantes.
Esse cenário contribuiu para a queda nos embarques, mesmo com o Brasil mantendo forte competitividade no mercado internacional.
Nova safra avança, mas impacto nas exportações será gradual
Segundo pesquisadores do Cepea, a colheita da safra 2026/27 começou a ganhar ritmo em maio, impulsionando o avanço das negociações no mercado interno. No entanto, o impacto desse novo ciclo ainda não aparece de forma significativa nos dados de exportação.
Isso ocorre porque o café recém-colhido precisa passar por etapas de preparo, secagem e beneficiamento antes de estar apto para embarques em maior escala. Dessa forma, o reflexo da nova safra sobre os volumes exportados deve ocorrer de maneira gradual ao longo dos próximos meses.
O Cepea avalia que parte desse movimento já pode ser percebida nos dados de junho, embora ainda de forma parcial, com tendência de aumento progressivo na oferta exportável conforme a safra avança.
Perspectivas para o setor cafeeiro brasileiro
O comportamento recente do mercado reforça o papel dos preços internacionais como principal fator de sustentação da receita do setor cafeeiro brasileiro em um cenário de menor oferta. Ao mesmo tempo, a transição para a nova safra tende a redefinir o equilíbrio entre volume e valor nas exportações nos próximos meses.
Com a entrada gradual da produção 2026/27 no mercado, a expectativa é de recuperação parcial dos embarques, ainda que condicionada ao ritmo de beneficiamento e à dinâmica de demanda global pelo café brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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