CRIATIVIDADE
Gerente da Marfrig inova ao implantar técnicas musicais dentro do frigorífico
AGRONEGÓCIO
Com criatividade e inovação a líder mundial na produção de hambúrgueres apresenta alternativas que podem transformar a cultura organizacional e impulsionar o desempenho da equipe em qualquer setor.
O gerente industrial de industrializados da Marfrig de Várzea Grande, Ricardo Almeida, está trazendo uma abordagem incomum para impulsionar o desempenho da equipe: são técnicas inspiradas no mundo da música, que primam pela sincronia e precisão. Ele desenvolveu o projeto Batuta e na última semana entregou a homenagem para os funcionários que mais se destacaram através do projeto.
No lugar das abordagens convencionais de gestão, Almeida está aplicando princípios de regência de orquestra para criar harmonia no ambiente de trabalho. Como apreciador de boa música, ele descobriu que muitas das habilidades necessárias para liderar uma orquestra são surpreendentemente aplicáveis à gestão de uma equipe na companhia.
“Em toda minha vida tive um perfil de liderança, certo dia um diretor passou no setor que eu liderava e perguntou: ‘como está o setor?’ Eu respondi: a orquestra está tocando. Ele saiu rindo, uma semana depois, ele me deu uma carta de mérito, com aumento de salário e reconhecimento profissional. E de lá pra cá, eu sempre tive o sonho de desenvolver esse projeto”, contou o gerente.
O gerente explica que foi na Marfrig que teve a oportunidade de colocar em prática. “Entendo que através da batuta o maestro pode transmitir a sua percepção musical para a orquestra e guiá-la na direção desejada. A batuta também é um símbolo de autoridade e respeito na comunidade musical exatamente por conduzir um grupo num mesmo objetivo”, disse.
Almeida ressaltou ainda, que o objetivo do projeto é justamente formar ‘maestros’ que estejam aptos a assumirem cargos de chefia e liderança.
As técnicas de batuta estão sendo utilizadas no setor de industrializado da companhia. O coordenador de manutenção dos industrializados da Marfrig de Várzea Grande, Ney Matoso, que recebeu uma batuta disse que iniciativas como essa valorizam o desempenho dos colaboradores.
“Eu passei por várias etapas nesse processo, e quando eu entendi as oportunidades que a Marfrig tinha pra me oferecer, eu agarrei. Então, hoje recebendo essa batuta, como reconhecimento do nosso trabalho, fico só o orgulho da nossa equipe”, afirmou.
Os resultados desse projeto inovador têm sido notáveis. O coordenador industrial noturno da Marfrig de Várzea Grande, Cícero Alencar, relata uma maior coesão e aumento da produtividade desde a implementação das técnicas de batuta.
AGRONEGÓCIO
Mudança no ITR pode impedir cobrança sobre terras invadidas e limitar avaliações abusivas
A falta de critérios uniformes para definir quanto vale a terra nua, as dificuldades para contestar avaliações feitas pelos municípios e a cobrança sobre propriedades invadidas estão no centro de uma proposta que pode mudar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). O Projeto de Lei 1.648/2024 está pronto para votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
O ITR é um tributo federal declarado anualmente pelo proprietário rural. Embora pertença à União, sua fiscalização e cobrança podem ser transferidas aos municípios por convênio. A base do cálculo é o Valor da Terra Nua (VTN), que deve considerar o imóvel sem construções, instalações, culturas, pastagens cultivadas e outros investimentos feitos pelo produtor.
Na prática, porém, entidades do agronegócio relatam diferenças expressivas entre os valores declarados pelos produtores e as referências utilizadas por alguns municípios. Um dos principais problemas é a dificuldade de acesso aos levantamentos e à metodologia que justificam o VTN adotado pelo poder público. Quando a declaração é revista, o produtor pode receber a cobrança da diferença acrescida de juros e multa.
“Não se discute a obrigação de pagar o imposto. O que o produtor pede é transparência para saber como aquele valor foi calculado. Quando a metodologia não é apresentada, ele não consegue verificar se o VTN corresponde à realidade da região nem exercer plenamente seu direito de defesa”, afirma o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto).
O projeto determina que a apuração considere fatores como aptidão agrícola, localização e dimensão do imóvel, além de levantamentos realizados pelas secretarias estaduais e municipais de Agricultura. O relatório em análise também permite ao contribuinte apresentar um contralaudo técnico quando discordar da tabela do Sistema de Preços de Terra da Receita Federal. Esse documento teria validade de cinco anos.
Na avaliação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades do setor, a mudança é necessária porque o ITR tem função principalmente regulatória: suas alíquotas aumentam conforme o tamanho da propriedade e diminuem de acordo com o grau de utilização. O objetivo original é desestimular terras improdutivas, e não ampliar a arrecadação mediante a valorização artificial da base de cálculo.
“O Valor da Terra Nua não pode incorporar, ainda que indiretamente, o resultado dos investimentos realizados na propriedade. Correção do solo, formação de pastagem, estradas, cercas e estruturas produtivas representam capital aplicado pelo produtor e não devem inflar o valor usado na cobrança do ITR”, diz Rezende.
Outro ponto do projeto afasta a incidência do imposto sobre imóveis invadidos quando o proprietário perde a possibilidade de explorar economicamente a área. Pelo relatório atual, a invasão deverá ser comprovada por boletim de ocorrência e comunicada à administração tributária. A retomada da posse também deverá ser informada.
Para os representantes do setor, cobrar o imposto nesse período significa exigir o pagamento de alguém que, embora continue proprietário formal, perdeu a disponibilidade econômica da terra. Representantes municipais defendem, no entanto, critérios adicionais de comprovação para evitar declarações indevidas.
“Não é razoável cobrar de um produtor como se a terra estivesse disponível e gerando renda quando ele está impedido de entrar, plantar ou criar animais naquela área. A regra precisa reconhecer essa realidade, com formas objetivas de comprovação que protejam o proprietário e também evitem fraudes”, afirma o presidente do IA.
A versão inicial da proposta também pretendia usar a área efetivamente aproveitável, em vez da área total do imóvel, para definir a faixa de alíquota. O relatório apresentado na CAE retirou essa mudança por considerar que ela poderia reduzir a arrecadação sem a necessária estimativa de impacto fiscal. Assim, a tendência é que a tabela continue considerando a área total, embora áreas protegidas permaneçam excluídas da base tributável e do cálculo do grau de utilização.
O texto ainda prevê que os municípios deem prioridade à aplicação da receita do ITR em estradas vicinais, eletrificação, conectividade e outras melhorias no meio rural. A obrigatoriedade foi substituída por uma orientação de aplicação prioritária, diante do questionamento de que a Constituição restringe a vinculação das receitas de impostos.
A proposta já recebeu parecer favorável na Comissão de Agricultura e aguarda votação terminativa na CAE. Se aprovada e não houver recurso para análise pelo plenário do Senado, seguirá para a Câmara dos Deputados. O texto e o andamento podem ser consultados na página do PL 1.648/2024
Fonte: Pensar Agro
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